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13 de abr de 2013

A tarefa árdua de escrever todos os dias


A cada dia nossa língua portuguesa vai ficando mais confusa. Agora não temos mais alguns acentos; mas como não tê-los depois de anos de uso? Como é confusa a transição. E nós adoramos uma transição. Gostamos de fazer a transição. Sem transição não vivemos. Se temos um bom relacionamento, fazemos tudo para mudá-lo. Se temos uma boa casa, fazemos tudo para modificar a sua decoração de tempos em tempos. Se temos um bom emprego, desejamos ardentemente mudar tudo nele. Precisamos da transição como do ar que respiramos.

Mas até onde? Por que existem as transições naturais da vida, e essas são, às vezes, difíceis de aceitar. Por que nos foram impostas. Por não tivemos o controle sobre essas transições. Elas apenas acontecem, como segue a vida, aquém dos nossos desejos e sonhos.

Por isso escrever se tornou tão árduo. Criaram transições incompletas. Algumas pessoas esqueceram que mudariam a vida de milhões de pessoas, mas mesmo assim insistiram. E vamos viver nova trasição – a nova regra ortográfica – a nova fase de confusão, onde não saberemos mais escrever durante um bom tempo.
Eu, que já evitava escrever muito, agora penso se vale a pena escrever sem os acentos. Eram nos acentos que eu me apoiava. Na dúvida, sempre acentuava. Era a minha segurança gramatical. Agora escreverei com mais cautela e, de antemão, as ideias começam a fugir juntamente com o acento que fora retirado.

Vejamos a transição da palavra “joia”. Será que as joias vão perder o seu valor? Como fica estranho saber que a minha joia não é mais aquela jóia de antigamente. O acento na palavra jóia era sua coroa, era especial, tornava a palavra distinta, elegante. Ficou pobre a palavra agora, virou classe média baixa.

Mas, assim caminha a humanidade, com todos nós ajudando as transições. Já passamos por muitas mudanças nessa vida, e essa transição será mais uma experiência que preencherá páginas e páginas no livro da história do Brasil. Mas no livro particular de cada um, a história será como cada um quiser escrever. Assim como nossa própria vida, com acento ou sem acento, com alegria ou infelicidade, com sabedoria ou teimosia. Assim somos nós.

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