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1 de jan de 2008

Os Mestre da Minha Vida - Parte III

A Escola Espiritual Human Yoga (S.H.Y.) foi fundada pelo Mestre vietnamita Luong Minh Dang, um dos grandes mestres em energia que ensinava técnicas específicas para a ativação dos principais centros energéticos do corpo (chakras). Atualmente, nós temos plena consciência de que qualquer desequilíbrio que se apresente em nossa vida está intimamente ligado ao excesso ou falta de energia em determinados centros de nosso próprio corpo. Tanto se fala hoje no tratamento holístico que deve ser usado para promover o bem estar geral, ou seja, o equilíbrio físico, mental e espiritual, necessário para a saúde plena. Não vou me ater aqui a explicações de como funciona a aplicação de transferência de energia da SHY; vou apontar um site que achei bastante esclarecedor sobre isto: http://www.shymozambique.mel-global.com/source.mel?MN=About&ST=Frequently_Asked_Questions&ID=OTM=&LN=1&ROOT=multipage&ACTION=Frequently_Asked_Questions&PART=show&multi_id=8

Conheci a S.H.Y. através de minha irmã Evangelina Margarida que já concluiu todos os 20 níveis da escola – eu fui apenas até o nível 7. Como toda escola espiritual, a S.H.Y. além de reforçar o que eu já sabia sobre energia, aumentou sobremaneira não apenas o conhecimento, mas favoreceu a experiência prática que me conduziu a um novo patamar espiritual. Se antes eu percebia e sentia a energia vital nas pessoas e no mundo a minha volta, agora eu enxergava nitidamente como ela fluía através das ânsias e desejos desconexos, das emoções descontroladas ou não; percebi o valor da intenção; a força sutil do pensamento bem direcionado, principalmente quando a base é o amor e a compaixão. Ao Mestre Dang foi concedido o dom e a permissão para ativar os chakras, e então eu passei a sentir a minha própria fluidez com o universo. Eu existia num universo tão cheio de energia que por si só criava e recriava mais energia; e à medida em que colocava em prática a transferências de energia, a sutileza aumentava... e cada vez mais eu notava que eu tinha sérios problemas com a tal da auto-disciplina. Eu precisava ter disciplina, uma vez que eu lidava com tudo que tinha aprendido, todos esses métodos, como remédios emergenciais e não fazia uso contínuo; e não foi diferente com a transferência de energia. Então, eu fui procurar uma forma de me disciplinar e encontrei o Avatar de Harry Palmer.

Avatar é um curso intensivo de auto-desenvolvimento e evolução pessoal – até onde você conseguir ir, você será levado. Usei e abusei do curso, criei respaldos emocionais fortes em algumas áreas, enquanto em outras, eu continuei a mesma pessoinha tateando meio no escuro, buscando, aquela eterna busca... Eu tive a total certeza de que tinha não um "problema", mas um enorme e complicado dilema que envolvia a auto-disciplina. Tudo que me fizesse sair de minha área de conforto, eu recusava ou, no mínimo, relutava em aceitar. Descobri que o caminho para se alcançar algo com sucesso, em qualquer área da vida, deve ser feito com disciplina. E isso, dependia exclusivamente de mim, meu esforço pessoal. Ninguém poderia me ajudar a vencer esse obstáculo. Aliás, alguns dos mini cursos do Avatar me ajudaram muito nisso - eles são simplesmente sensacionais; são fabulosas ferramentas para o crescimento pessoal, fortalecimento da vontade e tantas outras coisas necessárias para se viver plenamente. Achei esse site para pesquisa http://www.vivaavatar.com.br/home.htm - vale a pena visitar.

Segui minha vida, minha busca pessoal e não estava preparada para o que, muito em breve, ia vivenciar: um amor impossível. Entreguei-me aquele amor impossível e tudo virou de cabeça para baixo na minha vida. Passados dois longos e turbulentos anos me vi abandonada, iludida, agitada e consciente de que estava atravessando uma provação muito difícil. A princípio, a não aceitação brotou e lutei arduamente para mudar vidas que jamais mudariam – lidei com pessoas que acreditavam que as suas vidas tinham que ser necessariamente sofridas e cheias de mentiras. Percebia a minha queda vertiginosa dentro do rodamoinho confuso que algumas pessoas criam para viver e reviver. Eu vivi o que chamam de queda espiritual. Os meus cinco sentidos latejavam, estavam em constante alerta e em nada ajudava viver assim.

Amor ou Paixão?

Entrei em completo torpor espiritual, esquecida dos Deuses que conheci, das orações que aprendi, dos aprendizados adquiridos; a vida só tinha um sentido: suprir os dolorosos desejos de meus cinco sentidos. Adoeci física, emocional e espiritualmente. Tentava fracamente voltar ao nível espiritual que um dia alcancei, mas em vão. Até que, um dia, eu resolvi que ia me deixar cair no tal fundo do poço, que não ia lutar contra queda alguma – se precisava viver isto, que fosse! Eu o faria de cabeça erguida. Sabia que seria difícil desistir daquele amor, mas era impossível... e eu sabia que mais difícil seria re-encontrar meu caminho espiritual se eu não corresse logo e freasse os cavalos de minha carruagem.

Finalmente havia entendido que a vida dos outros só aos outros pertencem. Apenas o desejo real daquelas pessoas de evoluir, melhorar, é que daria frutos; e não o meu desejo, por mais bem intencionado que pudesse ser. Amar alguém é fácil, aceitar não ser amada como gostaria é que é a parte mais complicada. Aliás, aceitação é a palavra de ordem na minha vida, até hoje...

Eu precisei encontrar o meu passo, o meu ritmo, o meu compasso. E como diz o sábio Jesus Cristo em seu diário chamado Bíblia: “O que é o sofrimento do homem senão o seu próprio pecado?”

Mas eu acredito no Amor, da forma que se apresentar. E foi assim que, atravessando um turbilhão de sentimentos, um misto de raiva, decepção, compaixão, compreensão e amor, que um dia eu levantei a cabeça e olhei para o céu azul... vi aquele infinito céu azul que nem lembrava mais que existia, e foi como se tivesse voltado a enxergar depois de um período de cegueira total.

Pronto, agora só precisava fluir novamente com a energia do universo e eu sabia que retomaria o meu caminho novamente, junto com a minha liberdade, onde eu podia, novamente, escolher ser feliz ou infeliz, triste ou alegre; onde eu podia me envolver no silêncio necessário e me encontrar definitivamente. Será? Talvez sim, talvez não. Talvez a gente nunca vá se encontrar definitivamente, mas sim continuar aprendendo, entendendo e aceitando que tudo muda: o mundo, o tempo, o seu vizinho, o seu amor, você mesma, seus filhos, seus pais, a vida... Tudo passa, tudo segue um fluxo, como se tivesse um ímã puxando tudo em uma única direção, tudo sendo atraído por uma força maior. Sim, não temos controle nenhum de para onde estamos caminhando... mas podemos trabalhar para que a essa seja uma jornada feliz, tranquila e amorosa. É assim que me encontro agora. É assim que seguirei. NAMASTÊ!


Os Mestres da Minha Vida - Parte II

Passei pela maturidade e minha filha nasceu, fruto de um caso ao acaso, mas não tão acaso assim - como nada é por acaso, ela surgiu num sonho trazida pelo meu Mestre Pai, uma coisa linda, uma experiência para lá de mística!

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Um novo mundo, uma nova aprendizagem... e isso era eterno, jamais findaria, eu sabia! Ser mãe não é como passar pela infância ou pela adolescência. Ser mãe é se eternizar. Lembro que foram os 9 meses da saúde mais plena e forte que já tive - uma sensação de poder me invadiu sem que eu pedisse, pois me julgava uma fracota; mas naqueles 9 meses, eu era forte, a mais forte das criaturas do planeta; nada podia me atingir, eu estava protegida por algo que não via mas que sentia em todo o meu ser. Isabela nasceu sofrendo e eu sofri também, foi o único momento frágil naqueles 9 meses, mas isso fica reservado para outro tópico.

Cresci junto com os aninhos de minha filha - cresci e aprendi que eu não era super forte, não era a mulher maravilha. Ainda tinha muito que aprender, mas ela ia me ensinar, então, acompanhei seus passinhos pacientemente; vivi para ela e somente para ela durante os 7 anos seguintes. Aprendi que mãe sente tudo que o filho sente e vice-versa, como um espelho que refletia tudo de uma para outra. Aprendi tantas coisas novas, diferentes; vivi situações tão inusitadas com a maternidade que até entendo aquelas mãezonas que optaram por ter 10 filhos como a minha Mãe Maria Luiza. Quem não gosta de se sentir tão protegida e tão forte, hein? E mais tantos outros sentimentos lindos e indescritíveis que experimentamos e não conseguimos expressar em palavras. Só tenho a agradecer por tudo isso!

E, mesmo no longo período vivendo e respirando a maternidade, percebia um vazio na minha alma. Minha espiritualidade nunca me deu um sossego... não importava onde eu me enfiasse, ou que experiências eu vivesse. Ainda sentia cada desespero, dor, partida, sofrimento, alegria, paz, ânimo e desânimo em qualquer pessoa que se acercava de mim. Tinha medo de fazer amigos, tinha medo de aumentar tudo aquilo. Tinha medo da gente de outro mundo que podia aparecer na minha frente - e de que adiantava tanto medo? Li vários livros sobre religião e muitos sobre religiosidade. Por que existe uma diferença. E era o meu próximo passo - aprender a distinguir um do outro. Mestres espirituais, escritores, orientadores de alto grau como Joel Gosdmith, Osho, Bhaktivedanta Swami Srila Prabhupada, Brian Weiss e tantos outros, passaram por minhas mãos... tudo eu aprendia, tudo eu entendia, e percebia que tudo também já me era familiar por intuição.

Durante a minha fase de aprendizado sobre religiosidade fui a muitas palestras sobre tudo... e, um dia, numa das palestras eu encontrei meu terceiro Mestre, Paramahansa Yogananda. Não foi amor à primeira "lida", ou à primeira vista. Foi algo do tipo São Tomé, ver para crer... Comecei a ler sobre o Mestre Yogananda na internet e, finalmente, adquiri o "Autobiografia de um Iogue" (acho que todo mundo deveria ler esse livro) - ah, se eu tivesse lido esse livro aos 15 anos, talvez não tivesse sofrido tanto com a minha espiritualidade à flor da pele.

Yogananda pratica a religiosidade... ele foi um estudioso das religiões, em particular das duas principais religiões do mundo, o Cristianismo e o Hinduísmo. A base espiritual do mundo todo estava em minhas mãos. Entrei no mundo da Kriya Yoga de Yogananda e mergulhei nos mistérios do maior dos mundos - o meu próprio interior. Aprendi a observar a mente, a acompanhar os pensamentos, a vê-los se formar e dissolver. Percebi que me desconhecia por completo. Às vezes, eu até achava que minha mente era tão somente um grande emaranhado de opiniões, imagens, sons e milhões de bocas que nunca calavam. Comecei a me conhecer - a Kriya Yoga leva automaticamente, ou finalmente, ao autoconhecimento. E me levou a reconhecer que sou preguiçosa mentalmente, sou sonhadora demais e nem um pouco disciplinada. Às vezes, sonhava acordada com a Kriya ou um asana e, pronto, já sentia os benefícios e achava que assim estava bom. Mas a Kriya, assim como a vida, te cobra a prática, a persistência, te obriga a trabalhar a força de vontade - que eu achava que não tinha, ou melhor, que tinha sumido de vez da minha vida!!! Eu me encontrava literalmente num carrossel e não achava o freio.

E, dia e noite eu rezava assim: "Mestre, por favor desenvolva minha força de vontade para alcançar a fé plena: aquele algo que não encontro em lugar algum, mas que eu sei que está em algum lugar".

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E ele me ouviu, pois com a leitura de todos os seus ensinamentos e com a prática de Kriya Yoga, em um lindo dia, muito especial, eu acordei, fiz a oração, os exercícios físicos e respiratórios apropriados e entrei em meditação. Silenciosa e pacientemente, Yogananda me guiou até o centro de meu próprio ser - sede de todo o meu amor, paixão, prazer, dor e medo - e eu fugi dali correndo!! Demorou alguns minutos para me recuperar e entender o que havia acontecido. Levei um tempo para voltar naquele reduto interior - alguns meses, eu acho. Mas a curiosidade foi mais forte: o que mais havia ali? Teria sido aquela experiência fruto de minha mente, de meu desejo de ver algo que não via? Mais outras coisas viriam a acontecer no caminho de Kriya Yoga que me trariam a certeza de que nada, nada neste mundo estava fora de mim... então, por que eu não fixava de vez aquele reduto de tudo, por que não ficava ali sempre? A palavra mágica era VIDA.

Yogananda explicou sobre a Consciência Crística, o Cristo e sua mensagem - falava sobre Krishna e sua mensagem. Yogananda falava sobre o Amor Divino, aquele que eu sentia e sinto quando olho, ouço, penso ou sinto a presença de Krishna - o Deus Hindu. Inexplicável essa coisa de amor, não é mesmo? Coisas do coração... e da alma, neste caso. Nunca havia feito parte de nenhum movimento Hindu, nem mesmo do Movimento Hare Krishna quando este foi fundado em 1974. Eu não estava ligada em movimento algum... mas Krishna, em sua essência divina, mais pura do que a maior das purezas, tinha gravado em meu coração o maior dos sentimentos.

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Jesus Cristo: aos 15 anos eu sonhei com o Mestre Jesus - sim, com ele mesmo. E encantada com o sonho, corri para minha mãe e contei tudo. Ela sorriu e disse que Jesus, o Cristo, era exatamente daquele jeito que eu tinha sonhado - nada de olhinhos azuis nem pele branquinha como a neve. Parecia mais um hindu, pele curtida, olhos escuros, penetrantes, firmes, de uma doçura sem fim, puro, muito puro.

Mas algo o mantinha longe, distante. Como podia? Levou mais alguns anos para perceber que a história do Cristo aponta para o sofrimento de Jesus, para a dor, para a penúria, lamentos que só através do sofrimento podemos solucionar! A mensagem de Cristo não foi esta - nunca havia sido, pelo menos eu não aceitava assim. Eu precisava da Kriya para resolver isto, e de Yogananda para me guiar na limpeza de tanto absurdo! Percebia que as pessoas se agarravam à dor de Cristo, no calvário, no sofrimento. Sim, eu sei, meu Mestre Pai já dizia aquela sua célebre frase: "Quem foi que disse que a Vida era fácil?"

Mas Jesus trazia uma mensagem muito maior, muito além do que uma demonstração pública de sofrimento. A palavra de ordem era AMOR. Mas o que é o Amor? Vocês sabem? Podem descrevê-lo? Não... Vocês só podem sentir. E na hora de descrever, querer traduzir esse sentimento gigantesco as pessoas se enrolam todas e cometem as maiores atrocidades. O único que conseguiu fazer isso foi esse aqui da foto embaixo, mas ainda assim foi muito mal interpretado e muitos cristãos hoje adoram, aceitam ou vivem no sofrimento como demonstração de amor divino.

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Pratiquei a Kriya e acho que, como o Hatha Yoga, jamais vou deixar de praticar. Os ensinamentos do Mestre Yogananda foram coroados com algumas visões lindas que eu tive - coisas simples e ao mesmo tão profundas. E como o Amor é algo inexplicável, eu estava apaixonada pelo Mestre Yogananda... assim como sempre fora apaixonada por Krishna; quanto ao Mestre Jesus a sujeirada cultural foi limpa e deu-se lugar ao amor e ao respeito.

Lendo os ensinamentos do Mestre Yogananda eu entendi também por que nutria uma paixão por Mestres que pareciam tão distintos... Krishna e Cristo - descubro, então, que a essência é uma só, que Amor é algo único, não há divisão. É como a vida... ou você está nela ou ela não existe em você. E assim eu segui...

Hoje, eu digo que tive e tenho vários Mestres dos quais serei eterna aluna. E continuo aberta a tantos outros que surgirem na minha vida; preciso continuar aprendendo. Estou aqui para isto. Pois um dia, não muito longe, eu não mais irei rejeitar a minha sensibilidade, o meu jeito de sentir o mundo.

A partir da Kriya Yoga, surgiram novidades. Retomei as leituras da Bíblia Sagrada, Bhagavad Gita, livros do Dalai Lama, Mauro Trevisan; veio ao meu encontro o Shy do Mestre Dang, e o Avatar de Harry Palmer.

(Continua...)