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28 de dez de 2007

Os Mestres de Minha Vida - Parte I

Eu nasci no bairro de Areias, na cidade de Recife (Pernambuco).

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Faço parte de uma grande família Nordestina, composta por 8 mulheres (incluindo-me, é claro) e 2 homens. Tive a maior das sortes, pois os pais que me criaram viveram um para o outro, como naqueles contos de fada que crescemos ouvindo e acabamos acreditando - pois é, um conto de fada que presenciei durante a existência deles em minha vida e, na minha cabeça, eu chamava "O Romance de Elson e Maria Luiza". Pelo amor deles e, com o amor deles, eu vim ao mundo e passei parte de minha infância em Recife correndo solta pelas ruas e quintais da vizinhança, subindo em telhados, vivendo plenamente a minha infância. Aos 10 anos, toda a família mudou para o Rio de Janeiro, e, foi a partir de então que um novo aprendizado começou para mim.

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Minha memória nunca foi muito boa e logo eu esqueci da minha infância em Areias, restando apenas poucas e muito vagas lembranças. Afinal, eu estava aprendendo coisas novas sobre mim e a minha espiritualidade já começava a aflorar, o que me assombrava muito. Na minha visão pré adolescente, o Rio de Janeiro era tão grande que não cabia dentro sequer de minha fértil imaginação - ficava horas tentando medir e comparar o tamanho do bairro onde passei minha infância com o tamanho do bairro onde morava, quando não estava de mudança. E então, todo o processo começava de novo na minha cabeça, como um disco arranhado numa vitrola que ningúém empurrava. Aprendi que o Nordestino se muda muito quando vem morar no Rio.

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Aos 15 anos de idade o meu pai me apresentou o Prof. Hermógenes, divulgador do Hatha Yoga, e fazia comigo algumas posturas do livro Autoperfeição com Hatha Yoga - e tinha tantos exercícios, remédios naturais para tudo; quando eu tinha dor de garganta, ele me dizia para colocar a língua bem para fora, numa careta horrorosa, e então a mágica acontecia depois de algumas práticas - a dor ia sumindo até eu esquecer. Tinha uma postura que eu tinha muito medo de fazer, e tenho medo até hoje: a postura da vela ou Salamba Sarvangasana
E enquanto eu aprendia coisas estranhas através dos livros que meu Pai lia e me mostrava, quando achava conveniente mostrar, eu o olhava escondido e murmurava lá dentro de meu ser: este é o meu Mestre, meu Mestre Pai.

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Passado algum tempo depois do início do aprendizado com o meu Mestre Pai, percebia que ele respeitava e admirava a fé de minha Mãe. Ela era linda, simplesmente linda - sobre ela falarei em outro tópico chamado "Mulheres na Minha Vida" (aguardem!).

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Meu Mestre Pai era um pouquinho cético, mas um respeitador da fé alheia - e principalmente respeitador do ser vivente - qualquer um, até mesmo de uma barata. Ai, meu Deus, eu nunca esqueci o dia em que uma barata enorme, do tamanho de um helicóptero (pelo menos na minha imaginação ela era desse tamanhão), pousou na minha perna me tirando de um gostoso sonho... e eu corri até ele para que desse fim naquele bicho horrível - e ouvi dele apenas isso: "Você é muito maior do que a pobre baratinha, ela não vai lhe fazer mal algum, espante-a e ela vai embora". Eu fiquei estarrecida por ele ter chamado aquele inseto horrendo de "pobre baratinha". E o pior, como não iria me fazer mal algum, se já me sentia meia morta por ter feito minha perna de campo de pouso!!!!! Arrrggghhhhhhh, eu estava chocadíssima! Mas não tinha aprendido ainda o sentido da vida. Isso, só bem mais tarde.

Passei a adolescência sofrendo com a minha espiritualidade a flor da pele. A minha sensibilidade era tanta que me gerou muitos traumas. Precisava de orientação, mas não tinha nenhum Mestre disponível e o meu Mestre Pai não podia ou não conseguia acalmar tanta agonia. Um dia, que jamais esquecerei, sonhei com o Mestre Jesus... mas o sonho foi muito doido, onde eu me achava tão longe da pureza dele que eu fiz questão de esquecer o sonho, mas não do que ele emanava. E demorou para entender que cada pessoa tem seu calvário, uma cruz a carregar - uma vida para viver, aceitando ou não. E eu passei a não aceitar. Não aceitava mais nada, só o que o Mestre Pai falava, e era tudo sobre Hatha Yoga, Posturas, Krishnamurti, Revista Planeta... um mundo esotérico sem fim. E eu sorvia tudo, mas a sensação de já saber aquilo trazia o sentimento de inutilidade... eu tinha as ferramentas, mas não conhecia a prática. E no desespero, no auge da sensibilidade, como um doente pedindo morfina eu mergulhei no mundo espiritual e nele vivi por pouco mais de 10 anos. Arrependimentos???? Nenhum. Afinal, meu Mestre Pai havia me ensinado que de tudo eu tinha que aprender, e para tanto deveria viver... Aceitei a vida sim, mas recusava a aceitar a minha sensibilidade. Mas seguia aprendendo tudo sobre tudo...

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10 anos se passaram... meu Mestre Pai se foi desse mundo, e na minha sensibilidade eu sabia de tudo, de sua partida, de seu último olhar para mim... Achei que ia morrer também, junto com a minha Mãe, que se apegava cada vez mais a sua fé, suas orações, seu anjos e o Mestre Divino Jesus e Nossa Senhora. Comecei outro aprendizado, o mais difícil de todos: aceitar a perda de alguém que é quase tudo na sua vida.

E começou outra fase, sem Mestres... sózinha, solta no mundo, perdida nos Estados Unidos da América...

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Estava deslumbrada, encantada, cheia de idéias, mas vazia de fé. Minha sensibilidade me castigava e eu fingia que ela não existia; e dizia que ela tinha morrido com o meu primeiro Mestre. Vivi a vida americana por 1 ano e voltei ao Brasil... re-encontrei a família, desfalcada sem o meu Mestre Pai, mas ainda família. Quando re-encontrei a minha Mãe, a vívida imagem que eu tinha dela voltou, sempre rezando, sempre orando a Jesus e Nossa Senhora. E eu senti vontade de ter uma imagem de Nossa Senhora só para ver se a fé re-surgia em mim. Mas o peso do esoterismo em minha vida fazia a balança oscilar, e então, decidi entrar no mundo dos signos - já tinha alguns dos livros de meu Mestre Pai e depois de 1 ano de seca espiritual total, voltei ao mundo das cartas de tarot, das leituras divinas e da busca do segundo Mestre em minha vida.

Entrei numa academia de Yoga, pois nunca conseguia ficar afastada muito tempo dessa prática e quando não podia, pegava os livros do Mestre Hermógenes, sim, agora o Hermógenes era o meu Mestre - e assim fiquei por alguns anos, vivendo o esoterismo, conhecendo novas vertentes, Ramatis, Sinagogas, Igrejas Católicas, Igrejas Evangélicas. Tudo isso fazia todo o sentido para mim; tudo junto, não separado como aparece para as outras pessoas. Não como um campeonato de fé. Mas sim como se todo o Universo respondesse a cada uma prece, cada anseio, desejo e súplica. Tinha início a descoberta do Universo como um TODO.

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(Continua....)

1 Comment:

Denise said...

You write very well.